Apresentação

Minha postura em relação à arte é conceitual ou ideológica. Eu não fujo disso. 

– Anna Bella Geiger

Anna Bella Geiger é reconhecidamente uma das artistas mais importantes do Brasil. Foi pioneira da vídeo-arte no país e uma das grandes expoentes da primeira geração de artistas conceituais latino-americanos. Sua trajetória, marcada por rupturas e pela multiplicidade de meios e assuntos, começa na década de 50 e primeiros anos da década 60, ligada sobretudo ao abstracionismo informal, conjugando a abertura para o imprevisto, espontâneo, com um profundo rigor com a forma.

Mais tarde, dedica-se à gravura em metal e ao uso do guache, momento em que desenvolve sua chamada Fase Visceral, sob grande influência do movimento conhecido como Nova Figuração. Compostas a partir de chapas de metal recortadas, as imagens desse período cruzam discussões próprias às técnicas de gravura com noções acerca da realidade orgânica do corpo humano como referencial para representações geopolíticas, de maneira que a fragmentação de nossas partes pudesse ensejar possíveis mapas. É quando o estudo da cartografia entra em definitivo para o seu campo de interesse, problematizando ideias de território, fronteira e hegemonia cultural.

Já nos anos 70, sua produção assume um caráter experimental — que a própria a artista reconhece como o único modo possível de arte —, rompendo com os nortes do período moderno e ingressando radicalmente nas práticas contemporâneas. Passa então a se valer de muitos outros meios, como as fotomontagens, fotogravuras, fotocópias e o vídeo; e em igual medida, suas ambições temáticas se expandem, resultando em obras comprometidas com um pensamento crítico e que assumem fortes conotações políticas. Também estreita o diálogo com as áreas da antropologia e do estudo da imagem, se aprofundando em uma geopoética e antecipando diversas pautas fundamentais ao debate público do país e do globo atualmente.

Do início da década de 90 em diante, Geiger amplia ainda mais seu repertório material. Dessa época destaca-se a série Fronteiriços, em que formas de mapas e outros elementos como linhas e diagramas aparecem dentro de gavetas de ferro de antigos arquivos que foram preenchidas com cera. Metáforas do conhecimento e da memória, as caixas descoladas das mapotecas remetem à fluidez com que circuitos operam a difusão e cristalização de certos objetos e relações, fixando-os na superfície do imaginário social. Até os dias hoje a artista segue trabalhando ativamente e sempre com novo frescor, produzindo colagens em diferentes mídias que revisitam e exploram seus principais temas.

Anna Bella Geiger (n. 1933, Rio de Janeiro, Brasil) vive e trabalha no Rio de Janeiro. 

Ao longo de mais de sete décadas, Anna Bella Geiger apresentou extensivamente sua obra nos mais proeminentes museus, por meio de exposições individuais, tais como  Anna Bella Geiger – Entre o Relevo e o Recorte, SESC Copacabana, Rio de Janeiro (2024); Circumambulatio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo (2024); Anna Bella Geiger – 70 anos de arte, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (2023); Brasil nativo/Brasil alienígena, Frans Hals Museum, Haarlem (2022); Another Energy, Mori Art Museum, Tóquio (2022); Brasil nativo/Brasil alienígena, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), São Paulo (2019); e exposições coletivas como Era uma vez visões do céu e da terra, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo (2024); Where we speak, Kunstverein Bielefeld, Bielefeld (2024); Radical Software: Women, Art & Computing 1960-1991, ContemporaryArt Museum of Luzembourg (MUDAM), Luxemburgo (2024); This too is a map, 12th Seoul MediacityBiennale, Seoul (2023); Between Us and the Others: Together Apart, IV Bienal Sur, Madrí (2023); Biennial SESC VideoBrasil, São Paulo (2023); The Seventh Continent, 16th Istanbul Biennial, Istambul (2019); Radical Women, Latin American Art, Brooklyn Museum, Nova York (2019); A View from Buenos Aires, Tate Modern, Londres (2019); Radical Women, Latin American Art, Brooklyn Museum, Nova York (2018); Verboamérica, MALBA, Buenos Aires (2017); Histórias da Sexualidade, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), São Paulo (2018); Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America, 1960-1980, Museum of Modern Art (MoMA), Nova York (2015); Grito de Libertad, 1st Bienal Internacional de Assunção, Paraguai (2015); Anna Bella Geiger and her students, Videos, Ciclo: On the Edge: Brazilian Film Experiments of the 1960s and Early 1970s, Museum of Modern Art (MoMA), Nova York (2014); América Latina Photographs 1960–2013, Foundation Cartier, Paris (2013); Vidéo Vintage, Centre Pompidou, Paris (2012); Modern Women Single Channel 5 artists, MoMA PS1, Nova York (2011); ESPAI de LECTURA 1: BRASIL, MACBA, Barcelona (2009); First Generation: Arte e Imagem em Movimento, Museo Centro de Arte Reina Sofía, Madrí (2006); II Biennial of Liverpool, Liverpool (2000); 5th Biennale Internationale de Photographie, Liège(2000); 6th Cuenca Biennial, Cuenca (1998); 24th São Paulo Biennial, São Paulo (1998); 1st Bienal do Mercosul, Porto Alegre(1997); 20th São Paulo Biennial, São Paulo(1989); 18th São Paulo Biennial, São Paulo (1985); 16th São Paulo Biennial, São Paulo(1981); 39th Venice Biennale, Veneza, Italy; Biennale du Jeune, Paris, France (1967); 9th São Paulo Biennial, São Paulo(1967); 8th São Paulo Biennial, São Paulo (1965); 7th São Paulo Biennial, São Paulo(1963); 6th São Paulo Biennial, São Paulo(1961). 

As obras de Geiger também fazer parte de coleções como Museum of Modern Art, Nova York; Centre Pompidou, Paris; Victoria & Albert Museum, Londres; Getty Collection, Los Angeles; Fogg Collection, Cambridge; Public Library of New York, Nova York; Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; MACBA, Barcelona; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM – SP), São Paulo; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC – USP), São Paulo; MUHKA, Antwerp; Museo Centro de Arte Reina, Madrí, entre outras. 

Obras Selecionadas
  • Anna Bella Geiger, EW18 com a teoria do Black Hole e pés descalços, from the series Macios, 2018
    EW18 com a teoria do Black Hole e pés descalços, from the series Macios, 2018
  • Anna Bella Geiger, Intolerância-migrações, 2017
    Intolerância-migrações, 2017
  • Anna Bella Geiger, OHREN ATHENA COM ORBIS DESCRIPTIO, from the series Fronteiriços, 2017
    OHREN ATHENA COM ORBIS DESCRIPTIO, from the series Fronteiriços, 2017
  • Anna Bella Geiger, Orbis Descriptio com África & Middle Orient, from the series Fronteiriços, 2016
    Orbis Descriptio com África & Middle Orient, from the series Fronteiriços, 2016
  • Anna Bella Geiger, Na outra margem del rio Amazonas, da série Local da ação, 2006
    Na outra margem del rio Amazonas, da série Local da ação, 2006
  • Anna Bella Geiger, Sobre Nácar, 2003
    Sobre Nácar, 2003
  • Anna Bella Geiger, Orbis Descriptio, 1999
    Orbis Descriptio, 1999
  • Anna Bella Geiger, Orbis Descriptio com Américas e dois ventos, 1999
    Orbis Descriptio com Américas e dois ventos, 1999
  • Anna Bella Geiger, Orbis Descriptio com Venus - A História da escultura ocidental, da série Fronteiriços, 1996
    Orbis Descriptio com Venus - A História da escultura ocidental, da série Fronteiriços, 1996
  • Anna Bella Geiger, Orbis Descriptio - El Mundo Hoy, 1995-2018
    Orbis Descriptio - El Mundo Hoy, 1995-2018
  • Anna Bella Geiger, Local de ação 1500/1995, 1995
    Local de ação 1500/1995, 1995
  • Anna Bella Geiger, Equações, da série De Rerum Artibus, 1978
    Equações, da série De Rerum Artibus, 1978
  • Anna Bella Geiger, Equações, da série De Rerum Artibus, 1978
    Equações, da série De Rerum Artibus, 1978
  • Anna Bella Geiger, Brasil nativo - Brasil alienígena, 1976-1977
    Brasil nativo - Brasil alienígena, 1976-1977
  • Anna Bella Geiger, Sem título, 1969
    Sem título, 1969
  • Anna Bella Geiger, Visceral, 1969
    Visceral, 1969
  • Anna Bella Geiger, Carne na tábua, 1968
    Carne na tábua, 1968
  • Anna Bella Geiger, Carne na tábua, 1968
    Carne na tábua, 1968
  • Anna Bella Geiger, Garganta, 1967
    Garganta, 1967
  • Anna Bella Geiger, Brasil nativo / Brasil alienígena, 1976-1977
    Brasil nativo / Brasil alienígena, 1976-1977
  • Anna Bella Geiger, Brasil nativo / Brasil alienígena, 1976-1977
    Brasil nativo / Brasil alienígena, 1976-1977
Exposições
Publicações
Notícias
Enquire

Inscreva-se em nossa newsletter para receber as últimas atualizações sobre Anna Bella Geiger e a galeria

Campos Requeridos

We will process the personal data you have supplied to communicate with you in accordance with our Política de Privacidade. Você pode cancelar a assinatura ou alterar suas preferências a qualquer momento, clicando no link em nossos e-mails.