A linguagem dos anjos Castiel Vitorino Brasileiro

Apresentação

A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar A linguagem dos anjos, a primeira individual da artista Castiel Vitorino Brasileiro em Bruxelas.

A exposição é o resultado das recentes explorações da artista realizadas durante uma longa viagem ao deserto do Marrocos. Reunindo trabalhos multidisciplinares como instalações, esculturas, cerâmicas, pinturas e vídeos, a mostra explora as diversas relações não-lineares que Vitorino mantém com a linguagem.

Tempo e espaço definem como os seres humanos se comunicam. As noções políticas, estéticas e relacionais da artista são elaboradas com base no ato de falar e ouvir, escrever e ler. A obra de Castiel Vitorino Brasileiro nasce da necessidade de existir fora das lógicas humanas baseadas em expectativas. Entendendo o corpo como um terreno transitório de inteligências e experiências, o trabalho se desmembra em um alfabeto desconhecido, na qual a ordem espaço- temporal se torna desnecessária.

O título da exposição faz referência ao enoquiano, também conhecido como a "A linguagem dos anjos", um idioma supostamente revelado a linguistas e astrólogos da corte elizabetana no final do século XVI, durante experimentos de cristalomancia. Estudos indicam semelhanças com o inglês e vestígios de línguas semíticas como o hebraico e o árabe. 

A língua dita angelical, inexplorada e enigmática, levanta questionamentos sobre a diversidade cósmica. O trabalho de Vitorino, embora enraizado em elementos terrenos e essenciais, parece lidar paradoxalmente com questões imateriais, filosóficas e científicas de alta tecnologia. Enquanto explora a existência humana e suas limitações na Terra, a artista também contempla planetas inimagináveis, velocidades e modos de vida, além de mistérios já revelados. 

Na série Escritos nas estrelas, de 2024, a artista esculpe desenhos em pedra-sabão e revela novos hieróglifos, caracteres de um antigo sistema de escrita usado no Egito Antigo. Esse sistema evoluiu de uma escrita pictórica para um sistema complexo que combinava fonemas, pictogramas e ideogramas. Utilizados por mais de 3 mil anos para registros cotidianos, os hieróglifos foram posteriormente substituídos por formas mais simples de escrita, como a hierática e a demótica, enquanto permaneceram reservados para contextos sagrados, como templos e túmulos. A palavra hieróglifo tem origem grega e significa "símbolo sagrado" ou "escrita sagrada". Os cosmogramas de Vitorino revelam corpos cobertos de estrelas, animais, mapas e novas vegetações, como se o passado tivesse sido escrito em um futuro distante, quebrando lógicas humanas pré-estabelecidas de documentação da realidade. 

Ao mesmo tempo que a artista frequentemente contempla realidades externas, cósmicas e universais, ela também investiga o interior da mente, o conceito de alma, como um mistério que anima e dá movimento às corporeidades, fornecendo-lhes vida e dinamismo. 

Na instalação de cerâmica e vidro intitulada onde os anjos guardam seus sonhos e os humanos perdem suas lágrimas, a artista propõe objetos de cura espiritual. Quase como resoluções terapêuticas baseadas no toque direto desses objetos, as mãos deslizam e se encaixam nesses vasos e suportes amórficos. A abstração desses objetos não se compromete à representação do mundo exterior, mas sim expressa os sentimentos internos que se manifestam na mente humana e nas suas reações aos sentidos. 

Um grupo de 70 pinturas não apenas apresenta um alfabeto inteiro de línguas desconhecidas, mas também orquestram uma sinfonia. São uma complexidade de composições e escritos indecifráveis. A artista poderia estar contando crônicas, fatos históricos, levantando questionamentos filosóficos, ou puramente abstraindo qualquer noção de inteligência linear, transformando tudo em cor, forma e ritmo. 

A exposição aborda temas como solidão, abandono, recomeço e vitória. É quase como uma jornada heroica, que destrói e constrói um mundo possível. Vitorino revela sensações naturais como espaços geográficos, corporais, que servem com uma antítese aos regionalismos humanos e aos entendimentos cartesianos da experiência humana na Terra.

 

 

Castiel Vitorino Brasileiro (n. 1996, Vitória, Brasil), vive e trabalha em Paris.

Exposições individuais recentes incluem Remember when we talked about meeting againMendes Wood DM, Nova York (2022) e O trauma é brasileiroGaleria Homero Massena, Vitória (2019). Exposições coletivas incluem Coreografias do Impossível35a Bienal de São Paulo, São Paulo (2023); Third World: The Bottom DimensionSerpentine Gallery, Londres (2023); Social Fabric: Art and Activism in Contemporary BrazilVisual Arts Center at the University of TexasAustin (2022); 4+3=1SAVVY Contemporary, Berlim (2022); Atos ModernosPinacoteca de São Paulo (2022); Eclipse, Hessel Museum of Art, Nova York (2021); Crônicas CariocasMuseu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (2021); LA PISADA DEL ÑANDÚ (O CÓMO TRANSFORMAMOS LOS SILENCIOS), La Virreina Centre de la Imatge, Barcelona (2021); Enciclopédia NegraPinacoteca de São Paulo (2021) e 11th Berlin Biennale for Contemporary Art, Berlim (2020).

 

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Obras
Vistas da exposição