Vistas da exposição
1 de 29
Obras
Slideshow
1 de 16
Thumbnails
Texto

23/01 - 27/02 2021


A Mendes Wood DM, em Bruxelas, tem o prazer de apresentar YES! AÏ AÏ AÏ AÏ AÏ AÏ AÏ ... AM, uma exposição de desenhos em papel do artista marroquino Soufiane Ababri.

Para esta exposição individual, Ababri tomou como ponto de partida uma coleção de ensaios de Didier Eribon, teórico francês do século XX, cujo título é Hérésies: Essais sur la théorie de la sexualité [Heresias: Ensaios sobre a teoria da sexualidade]. Nela, Eribon postula que a comunidade gay constrói a sua identidade por meio da  literatura produzida por uma “família” de escritores e pensadores gays formada ao longo dos séculos. “Eu queria refletir sobre como eu (NÓS) posso/ podemos rescrever minha (NOSSA) própria identidade e história usando esse método e, assim, criar vínculos sanguíneos entre a minha homossexualidade e o passado, ao mesmo tempo empregando um olhar de imigrante, um olhar africano e pós-colonial”, explica Ababri. Nesse sentido, a repetição de “AÏ” no título da exposição enfatiza o eu, como se esse ato de exagero, repetição, resistência e dor (“Aï Aï”) fosse essencial para que as comunidades marginalizadas encontrassem alicerce, estabilidade e identidade.

O desejo do artista de construir uma família histórica fez com que compusesse um panteão de escritores e artistas gays, cuja intelectualidade tem mudado o curso da história e do desenvolvimento humanos, apesar do status de outsider. Indivíduos tão diversos quanto Michel Foucault, Glenn Ligon, Allen Ginsberg, Jean Genet e André Gide habitam os trabalhos de Ababri em seu característico estilo naïf, sendo a homossexualidade o fio que os conecta.

O tipo de militância proposta por Ababri é um ativismo mais histórico-artístico do que político, abordando as desigualdades presentes na maneira como a história e a história da arte têm sido escritas. A presença dessas figuras influentes formam apenas uma parte da resistência do artista, já que o método de trabalho de Ababri se dá também, deliberadamente, por meio da oposição às normas estabelecidas. Todos os desenhos apresentados pertencem a um conjunto amplo de trabalhos intitulado “bedwork” [trabalho de cama], que o artista iniciou há seis anos. “Eu queria fugir da ideia de trabalhar em um estúdio, com todas as suas conotações de rigor masculino, para trabalhar de uma forma que se relacionasse  ao estereótipo do feminino e do doméstico, ou seja, na minha cama”, diz o artista. Seu uso de giz de cera, lápis de cor e pastéis, em vez de tinta a óleo, é também um distanciamento proposital da tão sexista tradição de desenho das “belas artes”.

“Esse jeito de trabalhar também é uma forma de me colocar na posição do modelo usado por pintores orientalistas, em sua maioria homens brancos e heterossexuais. Estes modelos, normalmente mulheres, árabes ou escravos negros, eram colocados em situação de vulnerabilidade e passividade. Para mim, meu trabalho critica e analisa esse processo sem a utilização das ferramentas artísticas eleitas pela posição dominante. Nesse sentido, desenhar com giz de cera colorido, deitado em minha cama, é um ato de resistência”, diz o artista.

Para contextualizar seu trabalho, Ababri irá transformar a galeria em Bruxelas em um ambiente imersivo, com um vermelho profundo e teatral por natureza. O local lembrará o interior de um cinema ou teatro antigo, historicamente visto como um espaço clandestino de socialização para a comunidade gay, reivindicando as óbvias conotações do vermelho como sangue, mas também como espetáculo ou como tapete vermelho, sobre o qual tantas dessas figuras históricas caminharam,  mesmo enquanto seus iguais eram forçados a passarem a maior parte de suas vidas na obscuridade. 



Soufiane Ababri (Rabat, 1985) vive e trabalha entre Paris e Tânger.
Suas exposições individuais recentes incluem: YES! AÏ AÏ AÏ AÏ AÏ AÏ AÏ ... AM!, Mendes Wood DM, Bruxelas (2021); A Circus Act Behind Bars of Lilac And Blood, Kulte Gallery, Rabat (2020); Something New Under The Little Prince’s Body, Dittrich & Schlechtriem, Berlim (2020); Tropical Concrete Gym Park, Glassbox, Paris (2019); Call Me By Their Names, Ravnikar Gallery Space, Ljubljana (2019); Memories of a Solitary Cruise, The Pill, Istambul (2019); Here Is a Strange and Bitter Crop, Space, Londres (2018). 

Além disso, seu trabalho foi incluído em exposições coletivas como Attention, Glasgow International Festival for Contemporary Art, Glasgow (em breve - 2021); Welcome Home Vol. II, MACAAL, Marraquexe (2020); Lignes des Vies - Une Exposition de Légendes, MAC/ VAL, Vitry (2019); e Humez L’odeur Des Fleurs Pendant Qu’il En Est Encore Temps, Marathon des Mots, Toulouse (2018).

Menu
Utilizamos a tecnologia de cookies com o objetivo de melhorar cada vez mais a sua experiência de navegação no nosso site. Continue ou feche essa mensagem para permitir a utilização de cookies. Para mais informações sobre a nossa Política de Cookies e sobre como gerenciar seus cookies, clique aqui.