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27/06 – 31/07 2021
Mendes Wood DM São Paulo

O que eu estou fazendo aqui? O que estou fazendo no lugar que não pertenço? O que estou falando com o local que nunca será meu? O que estou tentando encontrar, medindo passo a passo o imaginário do mundo real? - Essas podem ser as perguntas que todos enfrentam ao conhecer as obras de arte de Zhenya Machneva.

A tapeçaria e os gráficos retratam em detalhes o mundo que não existe. Tudo pode ser realista: os objetos, proporções, posições, cores. Mas os resultados da visualização da artista são muito prolíficos. E no fundo do pôr do sol colorido de salmão e camarão, reconhecemos a vida secreta dos objetos. Os artefatos de tecido incorporam humores e biografias: examinando as imagens mais de perto e por mais tempo, nós as vemos se movendo, imaginamos os personagens.

Essas figuras inscritas em paisagens são retiradas de manchas de decadência que estão espalhadas por todo o mundo. Alguns prédios enfraquecidos ainda habitam zonas pós-industriais na Rússia, alguns anões desproporcionais do mercado imobiliário são inspirados pelos bastidores de Manhattan, algumas fachadas estão corrompidas com grafites de parisienses altamente expressivos. Os protótipos são bem notados pela artista, meticulosamente catalogados em sua memória. No entanto, os espectadores não se preocupam com a realidade dos objetos retratados, nem estão sujeitos à moralização.

O que testemunhamos através das obras de arte são os vestígios de impressões estéticas, uma espécie de falsas, digamos, memórias artísticas, que são devidamente alimentadas pela tendência ligeiramente obcecada da artista em coletar todo e qualquer objeto que se revela como um portal para algum outro mundo, que por si só está condenado a evitar uma existência adequada.

Por meio de sua técnica única e meditativa, e abordagem minuciosa da paleta, Zhenya Machneva cria pontes para o mundo do sublime, encontradas na própria rotina e tão bem reconhecíveis em galeria de imagens de paisagens urbanas. Cuidadosamente e quase amorosamente atenta aos personagens que se entrelaçam com a cidade, cria o intrigante congelamento de emoções e movimento.

A possibilidade de transferência, a proximidade de algum outro mundo (melhor ou pior) é bem contida pela âncora da admiração. O espaço e o tempo estão ancorados, são mais lisonjeiros à vista. Tudo está suspenso, a âncora nunca é totalmente levantada ou devidamente lançada. Ainda assim, provoca alguma inércia quente, alguma lacuna fugitiva onde mundos trêmulos e imaginativos podem espreitar sem o risco de serem capturados e explorados.

Texto de Zhenya Chaika

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