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22/01 - 23/05 2020


A Mendes Wood DM Bruxelas tem o prazer de apresentar In the Sun and the Shade (Ao sol e à sombra) a primeira mostra individual da artista brasileira Solange Pessoa na Europa, que coincide com a sua aclamada primeira exposição individual institucional nos Estados Unidos, atualmente em exibição no Ballroom Marfa.

Fazendo uso de todo o espaço expositivo da galeria em Bruxelas, a mostra inclui um conjunto inédito de esculturas de cerâmica biomórficas, uma série de pinturas de jenipapo (2013-2017) e um novo tríptico intitulado Primavera Bêbada (2019). A exposição apresenta também novas esculturas feitas de cimento e musgo e uma de suas instalações de longa gestação, composta de três grandes relevos em bronze e uvas. Ocupando uma sala inteira no primeiro andar da galeria, o escopo e a complexidade dessa obra se aproximam de suas instalações em museus.   

A exposição também conta com o recente e inédito trabalho em vídeo Lonjuras (2019), que é a culminação de filmagens que a artista vem colecionando desde 2012. O título se refere a uma expansão de tempo entre dois pontos, designando imensa distância. A partir de sua documentação de elementos terrestres, Pessoa aponta para uma lacuna no tempo, chamando atenção para coisas que existiam muito antes de qualquer traço de civilização na Terra. É a partir desse vídeo que Pessoa funde a evocação de tempos primordiais e míticos que a exposição elabora.

A prática expansiva de Pessoa busca inspiração em uma profusão de referências: arqueologia e ancestralidade, a história da sua terra natal e as civilizações antigas que a marcaram, pictogramas antigos, artesanatos tradicionais, o barroco brasileiro e poesia. Essas e muitas outras referências estão latentes sob a superfície, fornecendo o alicerce para uma carreira artística que abrange mais de três décadas e inclui trabalhos em escultura, pintura, desenho e vídeo.

A rica e variada paisagem de Minas Gerais, onde Pessoa vive e trabalha, engendrou na artista um contínuo fascínio pela natureza. O resultado desse vínculo profundo com o seu ambiente são trabalhos telúricos, muitas vezes compostos de materiais orgânicos e não convencionais, tais com cabelo, grama, frutas, penas, minerais, musgo e muito mais.

Sua série anterior de pinturas (2013-2017) em exposição foi criada com tinta de jenipapo, uma fruta tropical usada por indígenas desde tempos antigos. Nelas, memórias primordiais são o princípio orientador da artista. A essência gráfica das formas orgânicas nessas composições, bem como em sua pintura de grande escala Primavera Bêbada (2019), ecoa pinturas rupestres históricas. Pessoa evoca, dessa forma, ao mesmo tempo, arte parietal e pinturas modernistas.

Por meio do uso de materiais orgânicos encontrados tanto em suas pinturas quanto em suas esculturas, Pessoa permite que a natureza siga seu curso e que, por fim, assuma o controle do seu trabalho. Isso é particularmente relevante em relação às suas esculturas, em que é evidente a diluição das linhas que separam arte e natureza: uma ambiguidade que Pessoa destaca com grande deleite.

É importante entender que o escopo das obras de Pessoa não se reduz ao campo estético. Para ela, o ambiente natural não existe para ser simplesmente imitado, mas constitui uma experiência que a artista media, de modo irrevocável, com sua arte. A interação entre natureza e imaginação cria uma paisagem dupla: tanto uma impressão visual quanto uma mentalidade imaginativa. Seus trabalhos permeiam as fronteiras entre o real e o irreal, o visual e a ilusão, o consciente e o inconsciente.

A dualidade é um tropo recorrente na obra de Pessoa, conectando, de maneira inextricável, sua prática de longa data com a tradição do barroco brasileiro. O título Ao sol e à sombra é inspirado pela poesia de seu conterrâneo, o escritor mineiro Paulo Mendes Campos, e destaca as dualidades que encontramos na produção da artista. Sua combinação estimulante de materiais sensuais e orgânicos, tais como cabelo, musgo e frutas, com materiais sólidos, tais como bronze e cerâmica, gera uma estética de contrastes que evoca a escuridão e a luz, o duro e o macio, o excesso e a escassez. 

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