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11/03 - 17/04 2021


A Mendes Wood DM tem o orgulho de apresentar, pela primeira vez, o trabalho de Rebecca Sharp intitulado Tools for the Wonder Land, em colaboração com a Sé Galeria de São Paulo.

Esse grupo de pinturas faz parte de um novo rumo artístico tomado por Sharp. Tendo trabalhado anteriormente com pinturas a óleo expressivas, intensas e em grande escala, Sharp descobriu uma nova linguagem visual ao realizar uma mudança dramática para telas menores há dois anos. A série de trabalhos resultante é formada por composições surreais e de feitio delicado que a artista pinta quase por instinto uma vez estabelecida a ideia inicial. “Primeiro vem a arquitetura, depois eu olho e olho de novo até que vejo a pintura. Os olhos não são apenas uma ferramenta para ver cores”, Sharp explica.

O tema surreal é inspirado por suas viagens internas que são o resultado de décadas de prática meditativa. Suas composições apresentam uma visão transcendental e espiritual do mundo em que vivemos. São visualizações ousadas, mas delicadas, de múltiplos planos de existência, repletas de um imaginário simbolista e de conotações cósmicas. Desdobrando-se em paisagens fantásticas que poderiam ser paisagens mentais, as composições de Sharp parecem existir fora da dimensão normal de tempo e espaço.

O símbolo mais importante e recorrente nessas pinturas é, talvez, uma vara multicolorida que aparece em várias composições, às vezes apoiada contra uma parede, às vezes flutuando no espaço. Para a artista, a vara representa uma antena que conecta a Terra ao cosmo. Representa o poder e um caminho para um lugar além do imaginável. A antena também atua como um veículo de transmissão de energia cósmica, inspirada por práticas e tradições das religiões afro-brasileiras presentes na formação da artista.

“Ao vermos algo que parece milagroso ou de outro mundo (embora, por definição, exista em nosso  mundo), qual seria o nosso estado de espírito?  Como nos sentiríamos?”, a artista pergunta. “Nós nos sentiríamos perplexos, não seríamos capazes de agir ou reagir perante aquilo que estivéssemos vendo. Quero pintar o momento no qual nós, humanos, vemos algo que ainda não existe”.

Embora o trabalho e a linguagem visual de Sharp convirjam, em alguns pontos, com o trabalho de alguns surrealistas, tais como Yves Tanguy e Gertrude Abercrombie, a artista tira grande parte de sua inspiração da prática de meditação, buscando nela temas e imagens para as suas composições.

Rebecca Sharp (São Paulo, 1976) vive e trabalha entre Brasil e EUA. Ela se formou em Dramaturgia e Arte Teatral pela Goldsmiths, University of London. Seu trabalho foi incluído na 33ª Bienal de São Paulo, Afinidades Afetivas (2018), com curadoria de Sofia Borges. Em 2019, Sharp fez uma residência no California Institute of the Arts. Sua mostra individual mais recente foi Trago a mensagem do destino, realizada na Sé Galeria, em São Paulo, em 2020.

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