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12/06 - 14/08 2021

A Mendes Wood DM Bruxelas tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual europeia da artista de Los Angeles Mimi Lauter, com o título Consequential Landscapes [Paisagens Consequentes]. Reunindo mais de 20 trabalhos inéditos, em sua maioria pastéis de óleo e pastéis macios em papel, mas também tinta a óleo em tela e linho, a exposição mergulha os seus visitantes de cabeça no universo de Lauter com suas cores vívidas e grande carga emocional.

Embora na superfície as composições e cores de Lauter sejam, em grande medida, inspiradas no mundo natural à sua volta, em particular no seu jardim, que ela cuida com muito carinho e cuidado, esse universo é usado como um ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre a pintura como espaço teatral, no qual ela pode introduzir seu imaginário, cores e narrativas. “Sempre me sinto atraída pela moldura de um trabalho que funciona quase como uma cortina ou uma espécie de estrutura arquitetônica. Uma pintura é um espaço teatral, orientando o espectador em direção a um evento que ocorre à sua frente. É algo artificial, mas é também o reflexo do mundo a seu redor”, diz Lauter.

Questões em torno das ideias de artifício e de apresentação levaram a artista a considerar as tensões inerentes entre paisagem e natureza morta, dois dos estilos de pintura mais carregados de história. “Eu acho que a natureza morta é muito teatral – a cena se monta –, enquanto a paisagem é o oposto disso. Eu estava me debatendo com a ideia da estrutura de uma paisagem, na qual a imagem se estende para além da pintura, captando algo maior”, ela explica. Se a natureza morta é uma metáfora da mortalidade, a paisagem é uma metáfora da jornada da vida. Para Lauter, a fusão desses dois tipos de pintura permite que elas existam de maneira simultânea “na forma como a inexorabilidade de nossa mortalidade está sempre presente, enquanto levamos a nossa vida”. Recentemente, o ambiente do jardim da artista assumiu um significado ainda mais metafórico, quando a sua interação e experiência com ele foram acentuadas pelo confinamento, resultando em contemplações mais profundas durante os vários meses em que a artista passou isolada em casa.

Suspensos em algum lugar entre a natureza morta e a paisagem, entre o mundo interior e o mundo exterior, os trabalhos de Lauter assumem o papel de experiência religiosa moderna. “Eu olho para a história da arte de um ponto de vista muito ocidental e em paralelo com a história do catolicismo, na qual paisagens celestiais estão sempre observando tudo”, diz Lauter. “O meu trabalho é totalmente secular, mas tem muito a ver com a gênese da pintura europeia. A pintura era usada como uma ferramenta para provocar paixões e sentimentos e convencer as pessoas a acreditarem em alguma coisa. No final das contas, esse é o grande poder da arte. Ela é capaz de provocar tanta paixão e sentimento que uma pessoa se sente impelida a acreditar em algo. No mundo da pintura, nossos pensamentos e nossas lógicas estão diretamente atrelados aos sentimentos”. Desde a experiência de um imponente e avassalador vitral até a intimidade das ilustrações de livros de orações medievais, a potência do trabalho de Lauter é ditada não pela sua escala, mas pela sua intensidade. Além disso, a qualidade humanista ou “natural” (não religiosa) dos seus trabalhos usa uma linguagem visual que presta homenagem a Odilon Redon, Édouard Vuillard, Pierre Bonnard e Les Nabis, corrente artística francesa do fim de século, cujo uso caleidoscópico de cores pastéis iridescentes se tornou a marca registrada do seu estilo.  

“Estou representando algo que nem sempre é fácil de articular e, às vezes, pode ser efêmero. Minhas pinturas são o processo e a experiência de percorrer esses caminhos – a expansão e a contração de uma caminhada pelo jardim; elas não são pinturas ao ar livre”, Lauter conclui.

Mimi Lauter (n. 1982, São Francisco) vive e trabalha em Los Angeles.

Ela é formada pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e obteve um mestrado pela Universidade da Califórnia, em Irvine. Suas exposições mais recentes incluem Prospect.5 New Orleans, New Orleans (2021); Symphony No. 1, Blum & Poe, Nova York (2020); At The Noyes House, Blum & Poe, Mendes Wood DM e Object & Thing, The Eliot Noyes House, New Canaan (2020); Après nous le déluge, Mendes Wood DM, São Paulo (2019); Selections from the Marciano Collection, Marciano Art Foundation, Los Angeles (2019); e Sensus Oxynation, Blum & Poe, Los Angeles (2018).

Seu trabalho está presente em importantes coleções públicas, tais como Frederick R. Weisman Art Foundation, Los Angeles; Hammer Museum, Los Angeles; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles; e Marciano Art Foundation, Los Angeles.

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