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03/09 - 03/10 2020

A Mendes Wood DM tem o orgulho de apresentar a primeira individual na Bélgica do artista brasileiro Fernando Marques Penteado, que vive e trabalhar em Bruxelas. O título Meet me at the finger buffet [A gente se encontra para uns petiscos] provém de um aparato narrativo imaginado pelo artista que sustenta toda a mostra e tece uma rica trama de interconexões e relações entre os vários personagens fictícios que aparecem na exposição. Teatral em sua concepção, o projeto se desdobra como um conto ou uma peça, no qual o arco narrativo, e os personagens ali contidos, convidam o espectador a entrar no mundo do artista e a interagir com ele na forma de um jogo, que o visitante pode jogar na galeria durante a exposição.

A mostra se baseia na seguinte história ficcional: um produtor belga, chamado Xavier, generosamente decide convidar os amigos que fez durante o programa europeu de educação Erasmus para se reunirem em Bruxelas, onde vive. Eles se conheceram há mais de duas décadas, em Londres, e mantiveram relações intermitentes que Xavier gostaria de reativar. Para não ter que planejar a festa sozinho, Xavier convida Jean Claude, que trabalha em relações públicas e eventos e também faz parte desse grupo de amigos, para apresentar a sua proposta para o encontro. O plano de Jean Claude inclui desde a distribuição dos lugares na mesa até o cardápio.

Em uma metanarrativa engenhosamente planejada, fica aparente que nós, o público, e Xavier, o produtor belga protagonista da exposição, estamos assistindo juntos o desenrolar da proposta de Jean Claude pela primeira vez. As obras de Marques Penteado são a base do conceito de Jean Claude, que se dá por meio de diferentes tipos de bordados e objetos encontrados – o suporte preferido do artista –, desde retratos dos vários convidados que já enviaram a sua confirmação RSVP até a representação dos quitutes e salgadinhos que serão servidos na festa.

Marques Penteado usa essa ludicidade como um canal para abordar ideias complexas ao redor de questões sobre a construção de identidade e a passagem do tempo – uma análise de como criamos as nossas próprias identidades e histórias e como estas mudam conforme envelhecemos. Segundo a definição do artista, a exposição se trata de uma arqueologia da memória. Os storyboards, que estão em exibição na galeria e atuam como perfis de personagem para cada um dos convidados confirmados, são talvez a melhor expressão desse conceito. Cada storyboard é composto por um conjunto de parafernálias, produto da meticulosa coleção do próprio artista que foi acumulada em mercados ao redor do mundo, representando aquele tipo de coisas que todos nós coletamos, carregamos e exibimos privadamente ao longo de nossas vidas: pequenas anotações, ingressos de teatro, fotografias antigas, passagens de ônibus, um lenço, um poema, a capa de um disco ou um cartão postal, por exemplo. Para um psicólogo, o tipo de esforço necessário para juntar esses fragmentos e obter a percepção de uma pessoa é similar àquilo que um arqueólogo faria para compreender toda uma civilização. 

Outro grande interesse do artista, que também se manifesta nesta exposição, é a ideia de linha do tempo biográfica. Quem era Xavier quando fez o seu intercâmbio em Londres há quase vinte anos? Quem é ele hoje e o que mudou desde então? O que irá acontecer com os relacionamentos e afetos dos convidados quando se virem todos juntos de novo na festa? Como cada um dos convidados irá se sentir? Como serão comparadas as conquistas de cada um alcançadas até agora? O quão próximas são as experiências, por exemplo, de um instrutor de voo, de um mágico, de um geólogo e de um chef de sushi? O encontro é uma oportunidade de evocar fantasmas, sonhos e utopias que todos nós compartilhamos conforme traçamos nossos caminho na vida.

Apesar de a exposição ser uma narrativa específica e bastante coerente, não deve ser entendida como um projeto estritamente delimitado pelo artista, mas como um desenrolar de ideias com as quais Marques Penteado vem trabalhando há muitos anos, incluindo alguns personagens que já apareceram em mostras anteriores (tais como em Guess Who’s Coming to Dinner?, na Freedman Fitzpatrick, em Los Angeles, em 2017). Além disso, o conceito de storyboard surge pela primeira vez em sua individual Three Novels, realizada na Mendes Wood DM, em São Paulo, em 2014.

A participação na parte interativa da exposição é voluntária. Todos os visitantes que quiserem jogar podem fazê-lo enquanto caminham pela exposição. O jogo envolve seis personagens que confirmaram presença na festa de Xavier. Armados com uma descrição de cada personagem – sua profissão, vida amorosa, esperanças e sonhos – os visitantes devem achar o personagem que corresponde a cada storyboard em exibição na galeria. O visitante com o maior número de pontos ganha um prêmio feito à mão pelo artista.

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