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28/07 - 26/09 2020


A Mendes Wood DM foi convidada para colaborar com o Museum Dhondt-Dhaenens na 7ª Bienal de Pintura, apresentando uma exposição em sua galeria, localizada no bairro do Sablon, em Bruxelas. O tema da bienal é Binnenskamers, ou Espaços Internos, que pode ser, informalmente, interpretado como espaços e salas internos de um prédio e também como um estado psicológico de introspecção e o universo íntimo da imaginação. Seguindo a sugestão da artista Maaike Schoorel (nascida em Santpoort, Holanda, 1973. Vive e trabalha em Amsterdã), a galeria está participando com a sua própria mostra Binnenshuis, título cuja tradução para o português é Dentro de Casa ou Interiores. A Mendes Wood DM fica em um prédio tradicional de Bruxelas, que costumava ser uma residência. Vários elementos arquitetônicos originais foram preservados para que o visitante não se esqueça da origem do espaço, o que faz com que a mostra pareça ser uma extensão natural da Bienal. Uma pintura histórica de um espaço interior, de Louis Thevenet (nascido em Bruges, Bélgica, em 1874, e falecido em Halle, Bélgica, em 1930), será exibida ao lado de obras de Mamma Andersson (nascida em Luleå, Suécia, 1962. Vive e trabalha em Estocolmo) e de uma seleção de pinturas inéditas de Maaike Schoorel.

A tradição da Natureza Morta e dos Interiores é fundamental na história da arte flamenga e holandesa. Algumas das obras mais celebradas e conhecidas desse gênero pertencem a artistas desta parte do mundo, incluindo Johannes Vermeer, Willem Claesz Heda e Pieter de Hooch, entre muitos outros. Seguindo essa mesma veia, Binnenshuis abre com a pintura De keuken (1924), do artista belga Louis Thevenet, conforme o generoso empréstimo do Museum Dhondt-Dhaenens.

Para olhos destreinados, obras dos gêneros Natureza Morta e Interiores muitas vezes parecem ser “meras” pinturas de salas e de objetos simples. No entanto, as aparências enganam. Ao longo dos séculos, pintores desenvolveram a arte de ocultar mensagens codificadas sobre vida, amor e morte nos arranjos de objetos sobre uma mesa ou na seleção de flores em um vaso. Por sua vez, representações de salas (com ou sem pessoas) eram com frequência entendidas como alegorias para complexos estados de espírito que, posteriormente, vieram a ser expressados pela linguagem da abstração ou até da arte conceitual no século XX.

Dando prosseguimento a esse debate e trazendo-o para o século XXI, temos as obras das duas artistas, Maaike Schoorel e Mamma Andersson, que estabelecem um diálogo com o trabalho de Thevenet e expandem essas ideias por meio de uma nova e audaciosa linguagem visual, ajudando-nos a reinterpretar e ampliar os limites daquilo que Binnenskamers, ou Espaço Interior, é ou pode ser.   

Schoorel subverte a ideia de Natureza Morta forçando os espectadores a fundirem o seu olhar e a sua capacidade imaginativa para decodificar os temas muitas vezes mundanos do seu trabalho. Antes de tudo, os títulos das suas pinturas, tais como Geel stekje [Pelargonium], Tulpen en Kauwgum [Tulipas e Chicletes] e Wijnglas met Tandenstokers [Copo de vinho com palitos de dente], parecem ser deceptivos, pois o que vemos primeiro é uma multidão de cores disformes. No entanto, ao olharmos de perto, vemos que esses temas se materializam quase que de forma imperceptível perante nossos olhos, borbulhando até a superfície da tela, camada por camada, de modo que a sua distinção fique tão clara que é difícil entender como não eram óbvios desde o início.  

A obra de Andersson, por sua vez, leva-nos em uma direção muito diferente, na linha da tradição da pintura nórdica de Edvard Munch. Tanto em seus interiores quanto em suas paisagens, é quase impossível evitar a insólita sensação de metáfora que exala de suas telas. A representação do mundo exterior é, na verdade, um espelho virado para o funcionamento interno do ser. Estado de espírito, ambiente, estado psicológico: são palavras usadas para tentar descrever algo imperceptível, mas também totalmente palpável, que Andersson consegue comunicar, com grande destreza, sobre o seu próprio mundo interior.

Quando o poeta Alfred Lord Tennyson escreveu os versos de The Palace of Art [O Palácio da Arte], uma vasta e eloquente metáfora dos mecanismos internos de um artista e sua inspiração criativa, talvez não seja coincidência que ele tenha visualizado o pensamento como algo arquitetônico, como arcos dourados, corredores, salas, jardins floridos e claustros, nos quais a sua musa poderia perambular livremente – uma imagem condizente com a forma como pintores produzem obras que elevam nossas mentes para muito alto.  


O projeto de Maaike Schoorel para a 7ª Bienal de Pintura foi possível graças ao apoio do Mondriaan Fonds. 
Gostariamos de agradecer a Carolien Barken, arquiteta paisagista, pelo apoio durante a instalação da exposição.

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