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flowers and holes (glory), Mendes Wood DM, São Paulo, Brasil
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flowers and holes (glory), Mendes Wood DM, São Paulo, Brasil
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Mendes Wood DM São Paulo
Rua Barra Funda, 216

‘Homem Burro’, escultura em bronze de Adriano Costa é pura síntese. Em sua natureza de ‘pequena peça de adoração estão desequilíbrio, luz e um ser sombrio’. As diferenças entre esses estados refletem também a condição impermeável que reina entre suas esculturas, desenhos e pinturas. Adriano age através de discrepâncias com a harmonia de quem constrói de dentro para fora, sendo que dentro está a história e fora está o mundo das coisas: as que ele ama e de quebra as que despreza. Tudo encaminha-se a um entendimento. Enormes distâncias culminam num mesmo lugar. Suas desdobras são orgânicas ainda que possam brotar com aura e tradição construtivas... Trabalhos realizados sem quaisquer gestos podem transpirar humor feroz. Existem embates entre ‘caos pictórico e a formalidade que se faz presente. Esse movimento ora estabelece geometrias perturbadas oraFlores (1 e 2) oferecidas aos vivos e aos mortos’.

Para Adriano não existem hierarquias de valor, não existem fronteiras entre materiais e cores, peles e ossos, figuras e fundos. Certo e errado caminham juntos onde tudo é possível. Sua arte resulta de equações inesperadas e acontece em tempos e espaços absolutamente próprios. ‘Vaso, Mata Atlântica, Bromélia, Cactos, Flores (1 e 2), Jardim (1 e 2) e Jardim de Esculturas’ pertecem a esse reino cujo caráter esquizofrênico transparece em frutos diversos munidos e armados com voz própria.

Estamos em universos de cores, de coisas e de palavras onde Costa vislumbra sorve e atravessa linguagens. Seu trabalho é reflexo desse estado dinâmico. É experimental e não descarta erros. É abrangente e inclusivo, suas presenças são autônomas e migram em velocidades distintas. Sua poética, seu trabalho plástico, são a evidência dessa amplitude ao se organizarem a partir de explosões transformadoras. O que era verde passa a ser vazio, oque era linha se transforma em corpo, o que tem tudo pra ser pesado flutua. As situações orgânicas do Adriano são independentes entre si e paradoxalmente encontram o que percebo como enorme unidade retumbante.

Seu trabalho transpira e sua arte é explícita ‘Como uma lata de sopa Campbells’. Pensa o pop com reflexo construtivo. Abraça sínteses e faz a apologia dos mínimos detalhes. Tamanho, cor, peso, medidas nos dão acesso a esse conteúdo e à sua forma livre de ser. Com presença radical se coloca na contra mão de modismos ao mergulhar e exercer as linguagens que lhe são tão caras. No seguir dos passos esse corpo de transgressões poéticas pode passar por ‘um cuspe no tapete em Hang Over de 2014 , pelas marcações feitas na prática da CirurgiaPlástica (1 e 2) ou em orgias primitivas (Festa, Sexo, Butt Fixing)’ onde a forma humana é sugestão parida por pinceladas nervosas. ‘Mãe, Barriga, Auto Retrato, Canibal’ são consequências dessa ciranda de expressões.

‘Baldes, formas de pudim, embalagens, cartelas de remédios, essas máquinas’, esses sistemas são perfurados por ambiguidades e paradoxos, são surpresas em um espectro extenso. ‘Síndrome, Doença, Cura e Abajur, reverberam como antídotos possíveis ao que continua sendo um sombrio 2021.

’Aí está a enorme ambição de devolver justiça ao mundo em um horizonte emocionante. De onde vem? Para onde vai? O que vai ser? Como celebrar a enorme herança que recebemos da história? Como desdobrar mundos a parte, os velhos, os novos, e sob que signos?

Cada um dos shows de Adriano Costa contou com a presença do que pode ser pensado como a representações da estrela sol. Aqui, seu ‘Sol Horizontal’ aparece no corpo do que parece ser um ‘queijo perfurado’ e temperado com doçura e ‘humor gauche’. Sua Arte misteriosa é aberta. Desfalece e ressucita, corre o risco de ser violenta.Vai ao fundo de situações que então reelabora. Suas equações descartam sonhos de pureza plástica ou conceitual ao rejeitarem o que chamamos de gosto. É pura e é simples e treme ao brindar questões complexas e mundanas.É subversiva nessa forma detonada por um mundo real e sem controle onde tudo desmorona. O artista imprime no trabalho a condição existencial do ser e da arte. E é sob esses signos que ele devolve ao mundo o que é belo e natural. Vide ‘Chuva, Céu (1 e 2), Boi, Wellness, Excite’ e seu incrível ‘Fantasma’ delicado.

‘The End’
– Jac Leirner, julho 2021

O artista agradece a Romildo José da Silva e a Jac Leirner.

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