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Work Over Time

15/08 2015 – 25/09 2015


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual da artista norte-americana Allyson Vieira no Brasil. Work Over Time é uma nova série de esculturas produzida durante a residência artística que a artista fez ao longo de dois meses na cidade de São Paulo. 

Nesta exposição, Vieira confronta mais uma vez as relações entre arte e arquitetura e como cada uma afeta e se situa na construção das sociedades contemporâneas. Visitante ávida de sítios arqueológicos, ela nos apresenta esculturas que evocam estruturas do passado, embora estejam desconfortavelmente no presente.

A noção do tempo como dimensão essencial para a escultura sempre foi o assunto principal da obra de Vieira. Work Over Time é uma frase simples que pode ser lida de três maneiras diferentes: trabalhar além do tempo é trabalhar horas extras, trabalhar além do qual se foi contratado. A frase trabalho, além do tempo descreve a duração dos objetos do trabalho humano, evidenciando o fato de que todo objeto tem quatro dimensões, e não apenas três. Finalmente, trabalho sobre tempo ou T/t pode ser compreendido como parte de uma equação física T/t = P, ou Trabalho sobre Tempo é igual à Potência.

Residente da cidade de Nova York há muito tempo, Vieira observou os efeitos da globalização e do processo de gentrificação da cidade em primeira mão. Ela nota o ritmo acelerado da verticalização tanto de Nova York quanto de São Paulo e mora no meio da proliferação de canteiros de obras e demolições de Nova York. Seu trabalho situa-se numa linha tênue entre a construção e a destruição, entre o que já foi e o que está vindo a ser. Ao ocupar este limiar, Vieira confunde nossa visão linear do tempo, unindo passado e futuro em seus objetos, fazendo do presente um lugar impossível para se estar.

Vieira emprega materiais de construção comuns ao vernáculo local. Viver e produzir suas obras na cidade em que serão expostos tornou-se um elemento essencial de sua prática, permitindo que o caráter urbano de cada local permeie as obras através de materiais, formas e processos. Para esta exposição ela produziu suas duas primeiras séries de trabalhos em cimento: Workers 1-7 (Trabalhadores 1-7) e Blocks 1-16 (Blocos/Quarteirões 1-16).

Workers 1-7 são obras de cimento e aço fundidas no formato de tubos de papelão comumente usados em colunas para suportar grande capacidade de carga de maneira rápida e barata. Vieira não emprega meios arquitetônicos avançados ou altamente técnicos para criar suas obras. Ao contrário, elas são feitas à mão, usando técnicas rudimentares de maneira improvisada. Observando as fotos da construção de Brasília de Michel Gautherot, nota-se a contradição do fato de que prédios da era espacial fossem feitos com os mais simples materiais: fôrmas de madeira, barras de aço, concreto armado, e uma enorme oferta de trabalhadores, cujas evidências manuais eram apagadas posteriormente pelo acabamento. Em Workers não há acabamento, não há mágica. Todos os meios de construção são aparentes, como os efeitos do trabalho no corpo. As figuras equilibram-se em contraposto. Apesar de feita em material rústico, Workers tem uma característica quase frágil, como corpos que mal se aguentam em pé. Sugere trabalho não apenas no sentido político e econômico, mas também no sentido literal, de esforço físico.

Blocks 1-16 tem as mesmas dimensões dos dois blocos de concreto mais comuns em construções no Brasil e nos Estados Unidos. Eles são moldados e talhados a partir de uma amálgama de concreto e material descartado de Workers e seus Blockpredecessores, criando um confuso mostruário da manufatura da exposição. Seus materiais são improvisados e provisórios; tudo o que é usável é reutilizado. Assentam-se no chão, e nós nos sobrepomos a eles. São os blocks-blocos que construíram nossos edifícios, mas também os blocks-quarteirões que formam nossa cidade. São ao mesmo tempo a forma unitária e o todo, matéria e arquitetura.

Entre Blocks e Workers pende Over, uma cortina de tela de canteiros de obras. Onipresentes em cidades onde não param de subir prédios, essas telas cobrem as novas construções com um véu fantasmagórico, separando a bagunça da obra e de trabalhadores do resto da cidade em geral. Aqui, a tela atravessa a porta, dividindo tanto as duas salas em quatro espaços, como também os dois corpos de trabalho. Não há como acessar a segunda sala sem o acesso através da tela. Over é a fenda que separa o divisor do dividendo, uma barreira semi-permeável que prescreve e proscreve interação entre eles.

Allyson Vieira nasceu em Massachusetts em 1979. Ela vive e trabalha em Nova York. Sua obra já foi exposta internacionalmente, incluindo a exposição recente, The Plural Present na Kunsthalle Basel, na Basiléia, na Suíça (2013), que foi itinerada ao Swiss Institute, em Nova York (2013 – 2014). Outras mostras institucionais internacionais incluem a exposição dos finalistas do Future Generation Art Prize, no PinchukCentre, em Kiev, na Ucrânia (2014-2015), e Build On, Build Against, com Stephen Ellis na Non Objectif Sud, em Tulette, na França (2013). Nos Estados Unidos, seu trabalho integrou Remainder, no Philbrook Museum of Art, em Tulsa, OK (2013), A Handful of Dust, no Santa Barbara Contemporary Arts Forum (2013), Configurations, no Public Art Fund, no Brooklyn, NY (2012), Lilliput, no The Highline, em Nova York (2012), e Knight’s Move, no Sculpture Center, em Long Island City, em Nova York (2010). A obra de Vieira  também foi incluída em mostras na The Sunday Painter, em Londres (2015), na Eleven Rivington, em Nova York (2012), na Klaus von Nichtssagend, em Nova York (2011), na Brown Gallery, em Londres (2009), e na 179 Canal Street, em Nova York (2009). Seu trabalho apareceu em importantes publicações, incluindo o New York Times, a New Yorker, a Artforum, a Frieze, a Modern Painters, a Architectural Record, a Du, e a Art in America.

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