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diário de bordo de paisagens não catalogadas.
localização/data: 3006AHK/200 anos antes 200 anos depois


28/02 2015 – 28/03 2015


A Mendes Wood DM tem o prazer em apresentar a terceira exposição individual da artista Marina Perez Simão na galeria. Não há dúvidas de que toda paisagem observada reside em dois planos distintos e complementares; ela existe em si mesma e em seu contexto, nos seus próprios detalhes e adornos naturais, ao mesmo tempo em que ela existe dentro do próprio observador, de uma maneira nova, uma vez que essa transferência do externo para o interno carrega consigo uma série de mudanças e resignificações.

É notável, por exemplo, a semelhança de discursos encontrada nos primeiros relatos daqueles que chegaram à América, no periodo colonial, e a contida nos relatos de astronautas com relação a seus avistamentos de paisagens distantes ou objetos e partículas encontradas no espaço – estranhamento e fascínio são as sensações fundamentais evocadas nesses discursos tão separados no tempo. Chegar à América é como se chegar ao espaço, o importante é que se adentre o desconhecido.

Esse paralelo serviu de impulso para a artista buscar a composição de paisagens desconhecidas, apresentar algo novo àquele que se dispõe a observar e se entregar a experiência de ver algo pela primeira vez. Construir, ou quem sabe guiar, um olhar que possa ao mesmo tempo ser capaz de assumir sua incompreensão total ou parcial daquilo que se está vendo, carregando assim uma sensação de mistério que não se sobrepõe a um certo conforto, uma vez que o que se observa também acaba existindo internamente.

Se utilizando da pintura em telas e papeis, a artista explora formatações diferentes em cada obra; abdicando dos retangulos e dos quadrados tradicionais, o apontamento do olhar acaba por se diversificar naturalmente, não existe um ponto central a partir de onde se constrói a interpretação, a obra se desenvolve é no passeio do olhar, na descoberta pessoal de cada um que a observa, como se a própria maneira olhar fosse a materialização da geografia interna do observador.

As paisagens apresentadas são quase conhecidas, são como referências quase literais de algo possível, mas que não se confirmam dessa forma; seja uma cor de céu invertida, ou formas indefinidas que invadem a composicão, um ponto de vista que parte de um lugar estranho e aponta quase sempre para uma certa sensação de vazio ao não se apresentar personagens – e ainda que existam, a presença é difusa e quase incompreensível.

A opção por formatos irregulares, com cantos arredondados, fazem uma certa menção à janelas de aviões ou mesmo barcos, a metáfora é claramente sobre viagem, sobre um sentido de movimento ao passear os olhos de uma obra para a outra. Muito embora haja outros formatos de moldura, é importante perceber que não há arbitrariedade na maneira como elas se apresentam pois também são partes intrínsecas à obra, desenhos que transbordam e obedecem o conteúdo, deixando de ser meramente um contorno, mas sim a própria forma à serviço do conteúdo.

A artista se propõe a investigar e desmistificar uma série de questionamentos, que nos colocam frente a frente com pensamentos complexos, e inclusive um tanto distantes do domínio total de sua compreensão, mas o faz de modos que somente uma artista comprometida com os questionamentos proporcionados pelo processo artístico poderia fazer.

Marina Perez Simão nasceu 1981 em Vitória (Brasil), vive e trabalha entre São Paulo e Rio de Janeiro. Suas exposições coletivas recentes incluem 12ª Exposicão de Verão, Silvia Cintra + Box 4, Rio de Janeiro (2015); Chambres à Part, Edition VIII, La Réserve Paris, Paris, França (2013); Father, Mendes Wood DM, São Paulo, Brasil (2010); Promenade Project, Galleria delle Colonne, Parma, Itália (2010). Dentre suas mostras individuais destacam-se, Holzweg, Mendes Wood DM, São Paulo, Brasil (2012); If it’s dream make it real, if it’s real make it dream, Mendes Wood DM, São Paulo, Brasil (2010); Black Birds, Musée d’Art Moderne de Saint Etienne, Saint Etienne, França (2009).

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