Vistas da exposição
1 de 25
Obras
Slideshow
1 de 16
Thumbnails
Texto

Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar O silêncio da cor, a primeira individual de Sonia Gomes fora do Brasil. Os trabalhos de Sonia fundem movimentos e tradições culturais, mantendo um elo intrínseco com a afirmação da memória, a identidade e o poder transformador da criação em situações de vulnerabilidade e invisibilidade. Elaboradas com tecidos, fios e objetos presenteados, suas esculturas e estruturas multidimensionais, muitas vezes biomórficas, são como suportes incansáveis para corpos ausentes ou ocultos. Suas investigações gestuais se referem ao corpo em si, como uma forma de descolonizar o passado e reivindicar o presente como meio para reconstituir e celebrar tanto sua individualidade quanto sua descendência negra.

Em parte, a conexão de Sonia com o universo têxtil provém de sua cidade natal, Caetanópolis, um município na região metropolitana de Belo Horizonte que, no passado, foi um importante centro de produção fabril. Sua formação foi fortemente marcada pelo ofício do bordado, pois seu pai trabalhava em uma fábrica têxtil e a sempre presente avó materna, que atuava como parteira e curandeira, foi quem iniciou a artista nas práticas do trançado. Desde a infância, Sonia coleciona pedaços de tecido, combinando-os com diferentes materiais de ambientes variados, de roupas a móveis. Brincando com as possíveis combinações espirituais que podem emergir entre esses elementos, suas composições ganham vida por meio de uma prática espontânea e casual de descontruir e remontar objetos que, em conjunto, evocam a ideia do visceral e do sagrado. Ao recorrer a esse processo intuitivo, a artista celebra a história e a potência anterior de seus objetos e cria composições ecléticas imbuídas na rica história do Brasil, bem como em sua história pessoal, de sua família e da comunidade.

O silêncio da cor traz a trajetória mais recente da artista, apresentando obras coloridas de suas últimas mostras institucionais no Brasil – Ainda assim me levanto, no MASP (São Paulo, 2018), e Casa de Vidro (São Paulo, 2018) – além de uma série de novos trabalhos que dão nome à exposição. Inspirada em Maria dos Anjos (2017-2018), que Gomes criou a partir de pedaços de um vestido de noiva costurados com emendas, amarrações e vários outros panos, essa nova série marca a primeira intervenção da artista dando proeminência ao tecido branco. Embora sua obra use uma ampla e diversificada paleta de cores, o branco sempre lhe apresentou desafios, já que para a artista essa tonalidade é sinônimo de silêncio. Após a conclusão de Maria dos Anjos, Sonia resolveu interromper seu trabalho com cores para explorar sua aversão ao tecido branco.

De sua primeira investigação com a ausência de cor, uma experiência que ela descreve como particularmente útil, resultaram quatro novos trabalhos. Ainda que recorrendo a um suporte e a formas similares, Gomes honra a existência anterior e o legado histórico do tecido, ao mesmo tempo que revela novas e vibrantes formas de existência em sua (re)configuração.

Menu