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11/09/2019 – 19/10/2019

A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar In the Hot Sun of a Christmas Day [Sob o sol quente de um dia de Natal], uma exposição de trabalhos inéditos da artista Paloma Bosquê.

Paloma Bosquê é uma escultora que coloca seu talento a serviço de uma atividade ampla e com alto teor antropológico, conectando o urbano, o animal e o inanimado para materializar as sensações de um lugar, de um ser, de uma coisa na outra, muitas vezes fazendo com que seus espectadores redescubram o significado da escultura nesse processo.

A exposição In the Hot Sun of a Christmas Day toma emprestado o título de uma música de Caetano Veloso, de 1971. Por sua vez, Caetano usou um canto popular do século XVIII, God Rest Ye Merry, Gentleman para compor sua letra que narra seu exílio do Brasil. A melodia, que apesar de soar familiar, causa estranheza pela letra, se divide entre atividades concomitantes: esconder e procurar, celebrar e sentir saudades. Nesta exposição, as esculturas de Bosquê também articulam sensações contíguas.

Um exemplo é Silence Tube [Tubo silêncio], um cilindro manual de papel machê produzido para esta exposição em Nova York. A artista usou apenas suas mãos e seu corpo para modelar e alisar a superfície. O objeto é uma espécie de aparelho de escuta improvisado, que sugere dois ouvidos conjugados. Bosquê explica, no entanto, que ela não pensa nesse trabalho como relacional. Minha sugestão é que o objeto é uma ferramenta usada para liberar a ilusão de um aqui e agora unificados. Enquanto você tenta sintonizar um ouvido, o outro quase não consegue escutar os ruídos à volta. Eu vejo o aparelho como um canal alimentar: um tipo de organismo que se bifurca, aumentando a parte da sua atenção voltada ao entorno e amortecendo a outra parte. O objeto é capaz de converter em matéria o ruído que escapa pela janela aberta, o alvoroço da vernissage e o chiar das cadeiras. É possível prender essas porções de som dentro do canal ao cobrir a outra extremidade com a mão. Talvez, esses sons possam ser ingeridos trazendo-os para os lábios, bebericando lentamente a música captada.

Silence Tube desarticula o ouvinte do seu contexto, removendo a experiência do eu interior, para longe do visível e em direção ao exterior, sendo a ressonância seu recurso. O processo se dá de forma terna, aumentando e expandindo os limites do corpo. Esse sentimento se estende por todos os trabalhos produzidos por Bosquê para esta exposição. A instalação se aproxima ao máximo de uma moldura intensificada. Não é uma questão de escapismo, ou de deixar a galeria, mas de como as obras servem como pivô entre pelos menos duas experiências: o real e o ilusório. Presidindo essa mágica temos a dupla de esculturas/sentinelas intituladas In the Hot Sun of a Christmas Day. Essas figuras frias, uma conectada e curvada, a outra separada e ereta, ganham vida na interação. Instaladas em um chão de vidro, a luz ambiente refrata as cores turquesa e ocre, além de uma série de imagens; as hastes das esculturas se alongam na superfície em vários formatos de joia. Dependendo daquilo que cabe na moldura, somos puxados, impelidos ao declínio, no qual a profundidade do plano move-se para baixo da solidez do chão de madeira, desenraizando os impecáveis confins da figura e do solo.  

Como a música, que carrega histórias entre fronteiras, o trabalho de Bosquê, infiltra nosso ouvido interno, alterando noções de equilíbrio estruturado. Envolvendo primeiro as paredes, as vigas do teto, as molduras brancas das janelas, para depois expandi-las, os trabalhos de Bosquê alteram nosso foco, insistido no aqui e em algo mais.

- Piper Marshall

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