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Linhas em Tramas

09/04 2016 – 06/08 2016


Mendes Wood DM tem o prazer de anunciar Linhas em tramas, a terceira exposição de Sonia Gomes na galeria em São Paulo. Sonia Gomes se notabilizou nos últimos anos por um trabalho em que a trama de objetos encontrados ou doados se transformam em esculturas. Após várias décadas  trabalhando em Belo Horizonte, recentemente Sonia Gomes participou de importantes mostras internacionais como Revolution in the Making: Abstract Sculpture by Women, 1947 – 2016, Hauser Wirth Schimmel; 56º Bienal de Veneza, 2015; No Man’s Land na Rubell Family Collection.  

Em Linhas em tramas, Sonia Gomes revisita a galeria com uma exposição onde a principal obra Tecendo aManhã I, II, III é estruturada em três camisolas doadas por um amigo, que após decidirem vender a casa da família, a matriarca autorizou que lhe entregassem várias peças do seu antigo enxoval. Apesar da origem humilde da matriarca, conta-se que é filha de pedreiros, o enxoval é sofisticado com peças de linho bordados a mão. Guardado a muitos anos, essas peças chegam a Sonia já imbuídos de uma história pessoal. Qualquer tentativa de intervenção exige da artista estar sempre em guarda de um ponto de vista de extremo respeito às peças, aos segredos nelas contidos, ao tempo que passou e não voltará mais, mas que foram no seu tempo o símbolo de um rito de passagem para uma mulher. Assim começa a experiência estética na obra de Sonia Gomes.

As camisolas foram transformadas em suporte para os delicados desenhos feitos de linhas, alfinetes, bordados etc. Suspensos do teto da galeria, por meio de fios para empinar pipas, as camisolas ganham autonomia no espaço e desfilam suas cores; como telas, elas apresentam os desenhos da artista, que para existirem  pedem a existência de um outro, um segundo lugar onde ela, a artista, pode tecer a sua expressão. Sempre preocupada com o movimento dos tecidos, para finalizar a obra ainda se faz necessário manter a instabilidade da peça original, as camisolas não se armam numa estrutura rígida. O processo é regido pela intuição da artista, por suas preocupações estéticas como meio para elevar não só o material, no caso a seda, mas o objeto que se permitiu como suporte. Uma espécie de sopro de nova vida, naquilo que parecia adormecido.                   

Tecendo a Manhã                    
João Cabral de Melo Neto

Um galo sozinho não tece uma manhã.
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos. E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
In: João Cabral de Melo Neto, Obra Completa, Educação pela pedra. Pg. 345

Sonia Gomes (1948, Caetanópolis, Minas Gerais) mora e trabalha em Belo Horizonte. Suas exposições incluem: Histórias/Histórias: Arte Contemporânea do Brasil, USF museu de arte contemporânea, Flórida (2016); Mulheres Artistas de Ninguém da coleção da família Rubell, Rubell Collection, Miami (2015/2016); Todos os futuros do mundo, 56 Biennale di Venezia, Veneza (2015), The Hand New afro-brasileira, Museu Afro Brasil, São Paulo (2013); Art & Têxteis – tecido de material e Conceito na arte moderna, Kunstmuseum Wolfsburg, Wolfsburg (2013).

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