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Um Ponto Antes

05/04 2014 – 03/05 2014


Retomando os eremitas urbanos, Paloma Bosquê apresenta na sua primeira individual — Um ponto antes — trabalhos que ela vem desenvolvendo no porão do seu edifício ao longo dos últimos anos. Não tão contida na sua iconografia como o Lucas Arruda, ela no entanto parece também estabelecer um diálogo com o seu próprio trabalho, como se ele, assim como a artista, se bastassem em si mesmo. Dois solitários em busca de uma expressão. É no ato de fazer o trabalho, por exemplo enrolar um fio num pedaço de madeira, que as questões vão surgindo como gravidade, escala, cor, etc. Atenta a relação do seu corpo com a escultura que ela procura nos objetos encontrados, ela busca resignificar plasticamente juntando peças que estavam soltas no mundo preparadas para um possível descarte. Nesse processo a imaginação busca falsear valores, embaralhando o que parece raro com o que existe em excesso, como no caso das fitas de cobre, que são apenas Lurex, material que pode ser adquirido no comércio popular da 25 de março, ou no uso do Breu, que na verdade não passa de uma resina para descarte, e subitamente reaparece nas esculturas como algo super valorizado. 

A tensão dos fios e entre o que é visível e invisível dependendo da ponto de vista do espectador também sugerem uma latência nos trabalhos em si. Assim, o tempo está embutido na obra, pois a própria escultura carrega em si o pequeno intervalo entre o estimulo de um pulso e a sua conseqüência no tempo e no espaço. De certa forma é um paradoxo, pois são obras cinéticas mas inertes ao mesmo tempo. A obra da Paloma Bosquê exprime uma fantasia mágica, uma alquimia da fusão dos objetos que se encontram no porão-atelier-laboratório da artista. 

Meditando sobre o encontro inesperado desses três artistas de uma mesma geração, mas que no fundo são absolutamente independentes nos seus estilos criativos e produtivos, podemos ver o que é a mediação de uma galeria que se propõem a articular um programa. É nesse lugar que se pode medir o sucesso de uma empreitada que é das mais difíceis. Três artistas e três vocabulários completamente diferentes mas de alguma forma complementares, atestam a diversidade de experiências estéticas corrente na geração que desenvolveu o seu vocabulário estético ao longo dos anos 1990 e 2000. Não preciso de muito para enxergar a beleza de ver uma nova geração surgindo. E por isso, tudo me parece uma celebração.

Zeitgeist. É isso que me dá prazer.

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